
Quando se é solteiro , seus amigos são as pessoas mais próximas, companheiros de cerveja , de truco , de música , de falar bobagem. Estão todos na mesma , correndo atrás de alguém ou fingindo que não querem nem correr pra não ter problemas. Quando se é solteiro , vai-se para a noite sem qualquer preocupação e com apenas um objetivo: se dar bem até , pelo menos , a manhã seguinte.
É mais ou menos essa situação e época que Cameron Crowe decidiu retratar em seu segundo filme , "Singles" (traduzido aqui com o decente nome de "Vida de Solteiro"). O lugar? Seattle , início dos anos 90 , o que deu-lhe de presente uma trilha sonora pontuada por Alice in Chains , Pearl Jam , Chris Cornell , Pixies e ainda o mote para o personagem de Matt Dillon , que nos rende boas risadas com a sua banda Citizen Dick.
Crowe nos oferece um painel de histórias: a garota que quer fazer uma cirurgia em seus peitos para agradar o namorado , a vizinha que quer arranja marido e entra num programa de encontros por vídeo , o jovem bem-sucedido com uma idéia e sem uma garota e a garota bem-sucedida com planos e sem um cara , a gravidez indesejada , o amadurecer e ir atrás de seus sonhos , aquele velho blábláblá de sempre.
Mas há de se destacar que nem sempre esses temas são levados com a leveza e a maneira que Crowe nos propicia. Não chega a ser seu melhor filme (ele cresceria muito mais em "Jerry Maguire" e deste para "Quase Famosos" ainda mais) , mas é um acerto , marcado por sorrisos e uma reflexão interessante sobre os velhos mitos da "hora certa" , da "pessoa certa" , do tempo e de como tudo se conecta.