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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Fragmento de um Romance Inédito #7

"Walking back to you is
The hardest thing that I can do
That I can do for you. For you"
(Just Like Honey , Jesus & Mary Chain)

Engraçado como o mundo dá voltas que nem mesmo a gente entende. Um professor meu já justificou que as fotos em papel valem muito mais que as digitais pelo prazer de estar arrumando o quarto e encontrar um velho álbum de fotos. Talvez seja por isso que eu ainda anote algumas coisas em bloquinhos. E foi revirando um deles , do final do ano passado , que eu encontrei isso daqui.

"Sarah. Ela era legal , realmente legal. Ela gostava de poesia , como eu. E ela gostava de bossa nova e de Chico e de Beatles , como eu. E ela usava All Stars , como eu. Qual era o problema , porra? Talvez ela fosse certinha demais , nerd demais pra mim , apesar do fato de eu também ser um nerd. O nerd moderno , antes que vocês comecem a pensar algo realmente tosco sobre mim. Talvez ela fosse muito branca , diria Sérgio. Mas é quase certo que eu pensava que ela não me daria o último sucesso de Marvin Gaye antes de morrer. Sexual healing , babe. Ela não era rock'n roll.".

Cegueira. O que eu não vi foi que eu não precisava só do rock'n roll e de um sucesso do soul pra ser feliz. Como eu mesmo disse pra ela semana passada: minha música perfeita não precisava de guitarras fritando ou grandes solos de bateria. Eu era muito mais chegado em um violãozinho , uma guitarra com slide (ao estilo GeorgeHarrisoniano) e uma letra esperta. Tem certas coisas que a gente só entende depois de um tempo. E nunca sabe ao certo se vai dar pra concertar.

(Mas um novo arranjo pode mudar tudo numa canção).

domingo, 29 de março de 2009

Statement of a Previously Unreleased Romance #6

"I know what I like , and I like what I know"
(I Know What I Like (In Your Wardrobe) , Genesis)

I barely know you , but the so few that I know makes me like you so much. Life is just like a movie that is being filmed and the actors doesn't know the script. They just sign with the company trusting on the team and get the responsibility to star the movie. Would you like to be my co-star?

The same old clichè , the same old scenario. Platonic love. Just because you do remind me something I don't know. Maybe I'm just a drama king - yes , I can daydream so highly that queen is few for me - but I'm used not to regret or have a sorrow when I say this kind of things.

I remember every detail. The teachers wore yellow , you wore blue. The second day , pink. And then light purple , and a mix of pastel colors. After three or four days , nothing happened. I still being centered on myself , not able to talk , laugh , look or smile in a way to captivate you. So , who I am? Nothing more than a strange , bearded , long-nailed guy , who just wear T-shirts of bands and look and look and look and look to you.

I just wanna a bit part in your life.

domingo, 1 de março de 2009

Fragmento de um Romance Inédito #5

"Parei pra escrever os meus pensamentos
E olha só pra você ver o que eu escrevi"
(SNJ , Pensamentos)

Ana Rosa , Luz , Vila Mariana. Toda segunda e quarta eu fazia esse trajeto , levando a Sofia pra pegar o trem. Eram momentos mágicos aqueles , a gente não fazia nada além de conversar abraçados , rindo e se beijando. Eu a levantava no colo , pegávamos o metrô , eu esperava o trem dela chegar , sentido Guaianazes , eu já nem me lembro mais.

E voltava pro meu inglês , ouvindo um velho rap com rimas que são até bem constrangedoras , uma cantora que puxava o R , outro que parece não falar em português , uma base de poucas notas num teclado , encostado na janela , sonhando acordado.

Hoje eu não faço mais inglês. Não tenho mais a Sofia. Não faço mais esse trajeto. Não pego mais trem, a não ser quando eu vou pra casa do Zé e preciso chegar cedo em casa. Mas ainda tenho o bom e velho rap inocente , pensamentos que voam como vento , se livrar e não lembrar de maus momentos.

Porque , diz a letra , tudo que vai volta , sorrindo com a vitória , chorando na derrota , penso , relembro , dessa vez talvez eu aprenda. Nada mais , nada menos , pensamentos.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Fragmento de um Romance Inédito #4

Uhm... a quem interessar possa , esse sim é maconha de jornal. E o poema sobre românticos e ser um viciado em Coca-Cola é o "Na Escada".

Era um sábado nublado de inverno , como tantos outros que passaram depois que ela foi embora. Sentado na escada da Cásper , eu tentava entender como é que tudo tinha ido parar naquele ponto. Ou melhor , porque eu tava ali tomando uma Coca com o Paulo e não beijando a Sofia naquele sofá laranja.

- A verdade , Paulo , é que apesar de todas essas gurias que eu vejo por aí serem legais e tudo o mais , elas não são ela.
-Como diria o bom e velho Macca , Daniel... In the end , the love you make is equal to the love you take. Acabou , cara , já era. Ou melhor. Não acabou , vocês ainda vão se reencontrar um dia. Mas você precisa que esse um dia não é daqui a uma semana , um mês , um ano talvez. Vai demorar. Vocês dois vão precisar seguir caminhos diferentes pra poder valorizar um ao outro de novo depois de tudo que aconteceu.

Um cara tocava cavaco a certa de uns dez metros de distância. Saquei do meu bloquinho e escrevi um poema , alguma coisa sobre os românticos e sobre ser um viciado em Coca-Cola. Os carros correm na Avenida Paulista. As pessoas correm na Paulista. Isso até parece rua , meu Deus.

- Sei lá, Paulo. Mas sabe o que é bom nisso tudo?
- Uhm , você se ferra e o meu lado sádico se diverte com isso?
- Ah... boa tentativa, mas não. A cada fossa que a gente tem , a gente toma mais e mais Coca e continua andando por essa avenida e continua falando bobagem. De uma maneira ou de outra serve pra alguma coisa.
- É...
- E o melhor é que tem gente que não faz isso. E adoraria fazer. Como a Ju.
- Menina estranha essa. Mas se tu acha ela legal , vá em frente.
- Whatever. Há sempre uma luz no fim do túnel. Ou melhor. Uma Ju no fim do túnel.
- Putz , depois dessa eu até vou embora.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Um Diálogo em Desamor (Fragmentos de um Romance Inédito #3)

Um texto meio antigo que tava aqui no arquivo. Talvez nem seja parte do mesmo romance , mas ele está aí. Eu relutei um pouco em publicá-lo por algumas semanas , por alguma crueza ou coisa do tipo , mas aí está ele. E não , eu não sei se ele é maconha de jornal.

"Lena podia me salvar
Prefere se distanciar"
(Uma Canção Para Lena , Terminal Guadalupe)

- Eu me sinto uma criança perto de você.
- Não é bem assim. Você só fez suas escolhas.
- Mas se você parasse agora de viver já terá vivido muito mais do que eu vou viver durante toda a minha vida. Você já fumou , já bebeu , já usou maconha , já ficou várias vezes com pessoas do mesmo sexo , já fez sexo de maneiras estranhas... E eu gostaria muito de acreditar naquela velha teoria que diz que se você escolheu ficar comigo , é porque você preferia. Simplesmente não é verdade hoje.
- Daniel , se acalma!
- Eu te odeio, Sofia!
- Quê?!
- Eu te odeio e te amo e a gente não pode ficar junto e você quer viver a sua vida e eu quero viver a minha com você e você não quer viver comigo.
- Eu não devia te pedir isso porque eu sei que não é fácil. Mas por favor , me esquece. Pode até me tratar com indiferença , mas não me odeie.
- Não tá dando pra não te odiar ultimamente , Sofia.
- Daniel , você tem que entender uma coisa: você leva tudo muito a sério , e às vezes isso não é tão bom. Sei lá , eu gosto de você , eu gosto mesmo de você ,e mesmo com todos os seus defeitos e as nossas diferenças , se fosse pra escolher alguém pro resto da vida , seria você.
- Não faz diferença. O importante é o agora , e agora você não me quer.
- Pára com isso. Eu sempre quero te ver bem , e ver você mal assim me deixa mal. Saber que é culpa minha é pior ainda. Desculpa.
- Pára de pedir desculpa.
- Tá...
- Sofia?
- Que foi?
- Vai à merda.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Fragmento de um Romance Inédito #2

Outro pedaço que pode vir a fazer parte do romance. É na verdade um excerto de um diário que eu escrevi certa vez e que de certa forma diz muito sobre eu mim mesmo.

Uma semana imperfeita , uma semana de oito ou nove dias , ela não soube dizer muito bem. A verdade é que ela vai viajar e vai me deixar aqui. "Eu faço parte da sua vida , eu não sou a sua vida" , ela disse no telefone pouco antes de partir. Eu não concordo muito bem com essa afirmação dela , eu ainda acredito que se deve viver em razão de uma pessoa , e o resto do mundo que se foda. Claro , tem todas as consequências más , como não ter amigos ou trabalho , mas eu ainda acho que quem tem um amor tem quase tudo nesse mundo. Não sei , vivi muito pouco e amei ainda menos. Desde quando eu me lembro que eu comecei a notar as meninas - uma hora elas não estão e outra hora elas estão lá , como diria Rob Fleming - e me apaixonar por elas , eu lembro de ter sido assim. Não tem jeito , eu fui educado com Julia Roberts e canções de amor. Não foi com Ayrton Senna e Raí , não foi com carros possantes e filmes de ação. De qualquer forma , em dezesseis anos , se amei de verdade por mais de três meses , foi muito. Não dá nem dois por cento - a quem está se perguntando , sim , eu fiz essa conta. São cento e noventa e sete meses de vida , pra três meses de amor. E agora que eu estava aprendendo a amar , ela vai se embora por uma semana.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Fragmento de um Romance Inédito #1

Um dia eu juro que ainda escrevo um romance. Enquanto isso , vou fazendo pedaços aleatórios dele.

...

Giovana me olhava de um jeito estranho de manhã. E eu mesmo não estava entendendo porque , ela que sempre me olha com carinho e blábláblá.

- Gi , o que foi?
- Nada...
- Fala logo , deixa de ser besta!
- É que você tá cabeludo , só isso...

É , pior que era verdade. Eu definitivamente tava necessitado de um corte do cabelo. Sabe quando você tenta deixar crescer e ele tá naquele estágio que ainda não chegou lá , simplesmente parece que você acabou de acordar e saiu correndo de casa sem tempo pra arrumar? Então , é exatamente assim. E pra piorar o negócio , eu ainda tinha um cabelo ruim do caramba , que não era crescia pra baixo , mas sim pros lados feito um black power.

A verdade é que eu tinha feito uma promessa pra mim mesmo. Assim como já tinha feito com a barba há tempos atrás (o que quase me rendeu apelidos como "Australopitecus" e similares e brincadeiras como "Esqueceu de comprar Gilette?") , eu decidi deixar o cabelo crescer até arranjar alguém. Na pior das hipóteses , o cabelo ia ficar grande o suficiente pra eu cortar estilo moptop. Quer dizer , estilinho Beatles pré Rubber Soul. Aí só iam ficar faltando os terninhos , a cara de inglês e tocar guitarra decentemente. É , quase nada.

...