quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Top 50 Discos Nacionais da Década

A quem interessar possa, aqui vai uma lista feita meio que de improviso, dos melhores 50 discos nacionais da década. É uma lista feita basicamente sobre o nicho do pop-rock, e focada talvez em boa parte do rock independente. Seja como for, ei-la. Aceito pitacos e chutes na bunda. :D

1 - Cosmotron - Skank
2 - Tudo Que Eu Sempre Sonhei - Pullovers
3 - A Marcha dos Invisíveis - Terminal Guadalupe
4 - Vanguart - Vanguart
5 - Sublime Mundo Crânio - Lasciva Lula
6 - 2 - Tom Bloch
7 - Superguidis - Superguidis
8 - Toda Cura Para Todo Mal - Pato Fu
9 - Cachorro Grande - Cachorro Grande
10 - Apanhador Só - Apanhador Só
11 - Ventura - Los Hermanos
12 - Lestics - Lestics
13 - Grandes Infiéis - Violins
14 - GRAM - GRAM
15 - As Histórias São Iguais - Relespública
16 - Outubro Ou Nada - Bidê Ou Balde
17 - Pareço Moderno - Cérebro Eletrônico
18 - Registro Sonoro Oficial - Video Hits
19 - Luisa Mandou um Beijo - Luisa Mandou um Beijo
20 - Atlântico Negro - Wado
21 - Vc Vai Perder o Chão - Terminal Guadalupe
22 - Todos os Tempos - Cachorro Grande
23 - Tulipa Ruiz - Tulipa Ruiz
24 - Ruído Rosa - Pato Fu
25 - Bloco do Eu Sozinho - Los Hermanos
26 - Polaris - Pública
27 - Pára-quedas do Coração - Wander Wildner
28 - Feito Pra Acabar - Marcelo Jeneci
29 - O Exercício das Pequenas Coisas - Ludov
30 - Músicas Para Violão e Guitarra - Som da Rua
31 - Daqui Pro Futuro - Pato Fu
32 - A Amarga Sinfonia do Superstar - Superguidis
33 - Teletransporte - Autoramas
34 - Cansei de Ser Sexy - Cansei de Ser Sexy
35 - Como Se Comportar - Moptop
36 - Wonkainvasion - Wonkavision
37 - Pressuposto - Nevilton
38 - Traz a Pessoa Amada em 3 Dias - Canastra
39 - BHanda - Lô Borges
40 - Buganvília - Penélope
41 - Música de Brinquedo - Pato Fu
42 - Como Num Filme Sem Fim - Pública
43 - Dias Mais Tranquilos - Beto Só
44 - A Redenção dos Corpos - Violins
45 - Música Para Beber e Brigar - Matanza
46 - Goodbye Alô - Udora
47 - Radiotape - Radiotape
48 - Tom Bloch - Tom Bloch
49 - Anormal - Jonas Sá
50 - Stand By the D.A.N.C.E - Forgotten Boys

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Veteranos atrapalham meninos na conquista

Neymar e Ganso brilham de novo enquanto Léo, Marquinhos e Brum são expulsos

Santos 2
Santo André 3

DA REPORTAGEM LOCAL

Enquanto os moleques resolveram, os veteranos quase entregaram. Neymar, 18, e Paulo Henrique, 20, brilharam mais uma vez. Léo, 34, Marquinhos, 28, e Roberto Brum, 31, foram expulsos e tumultuaram bastante a conquista do Santos.
O Santo André abriu o placar aos 30 segundos, com Nunes, quando alguns santistas ainda pareciam impressionados com a festa no Pacaembu. O primeiro teste foi superado pelos "Meninos da Vila" após sete minutos. Pela esquerda, Marquinhos lançou Robinho, que ajeitou de calcanhar para Neymar. O garoto driblou o goleiro e deixou um zagueiro sentado antes de empatar. Golaço.
O Santo André rasgou o roteiro pré-escrito para esta final. Foi ao Pacaembu para ser protagonista, não coadjuvante. Precisava vencer por dois gols de diferença para reverter a desvatagem do primeiro jogo (que perdera por 3 a 2) e nunca deixou de buscar esse objetivo.
Aos 18min, teve um gol mal anulado pela auxiliar Maria Eliza Barbosa. Em seguida, voltou a ficar na frente no placar: Bruno César bateu escanteio, Alê desviou de cabeça. Aí o time de Dorival Jr. começou a ser prejudicado por seus jogadores mais experientes. Após falta em Neymar, houve confusão entre praticamente todos os jogadores.
Léo e o atacante Nunes trocaram ofensas e foram expulsos. "Disse para ele que o Neymar joga muito mais do que ele. Só isso", justificou o lateral. Dorival Jr. arrumou a equipe como pôde: Pará foi para a lateral-esquerda, o volante Rodrigo Mancha cobriu a direita e o time se mandou para o ataque.
E numa jogada típica, Neymar empatou de novo, aos 32min. Robinho rolou a bola no vazio, Ganso apareceu para tocar de primeira, de calcanhar, e deixar Neymar à vontade para fazer mais um golaço: 2 a 2. Quando parecia que o Santos alcançaria finalmente a paz, o meia Marquinhos, um dos líderes do time, deu uma tesoura em Branquinho. Foi expulso.
Com um a mais, o Santo André voltou a desempatar. Robinho perdeu uma bola no ataque e o time de azul fez lembrar o Santos. Troca rápida de passes até Branquinho receber livre e deixar o placar em 3 a 2.
No segundo tempo, o Santos esqueceu todas as suas convicções ofensivas. Jogou para defender o resultado e conseguiu. Não sem correr muitos riscos. No primeiro ataque do Santo André, Rodriguinho driblou Felipe e tocou para o gol vazio, Arouca salvou em cima da linha. O Santos pouco atacava.
Dorival Jr. tirou Neymar para colocar Roberto Brum. O volante foi expulso logo depois, e obrigou o Santos a jogar durante dez minutos com dois a menos. O Santo André pressionou e mandou uma bola na trave. O time do espetáculo, do ataque avassalador, abusou da cera e dos chutões. Um final irônico, mas justo.

(LUCAS REIS, MARTÍN FERNANDEZ, RODRIGO MATTOS)
Folha de São Paulo, caderno Esporte, 03 de maio de 2010

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A Língua Mãe

A Língua Mãe
Manoel de Barros

Não sinto o mesmo gosto nas palavras:
Oiseau e pássaro.
Embora elas tenham o mesmo sentido.
Será pelo gosto que vem de mãe? de língua mãe?
Seria porque eu não tenha amor pela língua
de Flaubert?
Mas eu tenho.
(Faço este registro
porque tenho a estupefação
de não sentir a mesma riqueza as
palavras oiseau e pássaro)
Penso que seja porque a palavra pássaro em
mim repercute a infância.
E oiseau não repercute.
Penso que a palavra pássaro carrega até hoje
nela o menino que ia de tarde pra
debaixo das árvores a ouvir os pássaros.
Nas folhas daquelas árvores não tinham oiseaux
Só tinha pássaros.
É o que me ocorre sobre língua mãe.)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Leave

Ver comédias românticas pode te trazer efeitos colaterais. Um deles é viciar em uma música que você nunca tinha escutado direito do R.E.M.

Outro efeito colateral é acreditar que mesmo você sendo um zé-ninguém que sonha em escrever novelas baratas você consegue ficar com a mocinha ousada, linda e que você sempre sonhou. O problema é acreditar que um cara que tá em cima de um cavalo branco pode fazer qualquer coisa. Qualquer coisa.

O meu medo é que eu comecei a dividir o mundo em quatro tipos: o que eu queria ser, o que eu sou, o que eu não quero nem sou, e o último eu esqueci, certo, Chico? E assim que nem o Antônio, em todos os filmes, livros, músicas, passos, textos que eu fizer, o que eu queria ser vai estar presente.

Odeio falar por abstrações.

(Ainda mais quando elas estão mais que descaradas pra meio entendedor). Boa noite.

terça-feira, 1 de junho de 2010

O Mundo Anda Tão Complicado

Sim, todos os textos agora vão ter nome de alguma coisa (cinema,música,livro,enfim).

Eu tinha planejado um monte de coisas diferentes e estranhas pra colocar aqui, desde uma falsa carta de amor que um alter-ego meu teria escrito agora, passando por considerações felizes sobre resolver os enigmas que são as letras do REM, até pensar em falar novamente sobre descarregar sentimentos.

E eu não entendo mais nada, pra falar a verdade: as coisas andam se sucedendo e se enroscando de uma maneira que só um clássico do John Lennon pode fazer alguma diferença. Não que eu queira, mas talvez seja o único jeito de por enquanto lidar com isso - ou o único que eu aprendi.

(Mas fiquem tranquilos: eu não vou me matar nem nada do espírito. Na pior das hipóteses, só beber muita Coca Cola).

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Find the River

Antes de tudo: eu sinceramente não achei que esse "desabafo" fosse causar assim alguma repercussão. Obrigado por quem acabou lendo isso aqui sem querer e escreveu alguma coisa. =)

De uma certa maneira, as coisas costumam se repetir. Eu gosto particularmente da idéia de ciclos na minha vida - meio da maneira tola que os pássaros cantaram na Bíblia. Há um tempo para semear, e outro para colher: talvez eu tenha entendido errado e seja novamente hora de semear. Cada passo de uma vez, cada vez de um passo.

Cada passo busca o rio, que por sua vez buscará o oceano. Não que as coisas estejam particularmente indo do meu jeito, mas a vontade de andar atrás de algum rio, mesmo lutando contra a correnteza, já torna as coisas diferentes.

(Talvez essa tenha sido a primeira vez que eu entendi uma letra do REM).

Por Uma Vida Menos Ordinária

Nos últimos tempos, não tenho conseguido escrever nada mais literário - razão pela qual este humilde endereço encontra-se às moscas. Talvez ainda seja um longo caminho a percorrer, mas eu decidi que vou retomá-lo. Não esperem grandes coisas, por enquanto isso vai servir apenas de válvula de escape para desabafos quaisquer, ok?

Comédias românticas são ótimas, mas ao mesmo tempo terríveis. São um ótimo exemplo de simulacro: apesar de parecerem reais, com casais bonitos e mil brigas, não são, porque sempre o final é feliz e todo mundo sorri e sai casado no final do filme. Até parece que a vida é assim, não é?

Talvez eu ande um bocado raivoso com o mundo nos últimos tempos. Engraçado, porque o sol até sorri pra mim todos os dias pela manhã quando eu chego na faculdade. Não sei o que acontece - mas talvez seja apenas falta de entusiasmo. Quem sabe um filme antigo ou um novo amigo não fizesse algum bem pra mim?

Por enquanto, tudo o que resta é microfonia e distorção - e um cara careca perguntando sobre qual é a frequência. Mas a gente vai seguindo, em busca de uma vida menos ordinária.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Transa, de Caetano Veloso

Pessoas queridas do meu coração, se é que vocês ainda passam por aqui: inicio nesse ano de dois mil e dez de nosso senhor jesus cristo uma nova iniciativa: um blog de cultura pop chamado "Pop to the People". Pra começar, uma resenha do clássico disco de Caetano Veloso, "Transa".

Divirtam-se!
(Mas ei, isso aqui não morre! :D)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Santiago

"Cerca o peixe, bate o remo, puxa corda, colhe a rede, ô canoeiro, puxa a rede do mar".
(Canoeiro, Dorival Caymmi)

Qualquer dia desses compro umas pranchas de madeira , umas boas ferramentas e me fecho na oficina durante um bom tempo pra fazer um barco. Boto o violão no saco, uns bons livros, algumas roupas e uma vara de pescar e levo o barco pro mar. E saio mar aberto mar adentro a procurar dentre as ondas não um sentido pra viver , mas uma conexão entre eu mesmo e a natureza.

Falando assim eu sei que sôo como um intelectualóide procurando a iluminação. Não é bem isso. Eu só queria realmente sentir o mar. Conviver com o sal e o sol , passar os dias a pensar e esperar um marlim ou um atum morder a isca , limpá-lo e cozinhá-lo e comê-lo com um pouco de arroz comprado no armazém á beira-mar. De vez em quando um jornal com os resultados do futebol e no fim do dia uma boa cerveja preta na mesa do bar. Chamar-me Santiago ou Dorival ou qualquer outro nome de pescador.

Porque a vida pode ser feliz sendo simples. Porque me parece muito mais amarga a morte cinza da cidade. Porque é doce morrer no mar, nas ondas verdes do mar - mesmo com todo o sal curtido na pele bronzeada de sol. É doce, doce morrer no mar.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Olhos Abertos

Sim, eu sei que já passou da época de um blog ser mantido apenas com letras de músicas - algo que eu fazia na finada Padoca do Mutante na época da sexta série -, mas Janeiro está pra acabar e eu percebi que acabei não escrevendo nada sobre o fim do ano , o fim do ETAPA e esse tipo de coisa. Não sei se eu tenho taaaaaaanta coisa pra escrever assim , ou se é falta de prática mesmo. Só sei que dessa vez - assim como antigamente - vou deixar outros falarem por mim. Essa canção está no disco de 72 da Elis, e é um daqueles achados que a gente não entende porque não conheceu antes. Espero que daqui a alguns anos eu possa cantar essa música e perceber que as coisas continuaram bem.

Olhos Abertos
Rodrix/Guarabyra

Atravessando uma ponte de noite, no meio da chuva
Cercada pelo silêncio daquela cidade do interior
Depois da ponte uma estrada de terra, molhada de chuva
Cercada pelo silêncio e sem nenhum pedaço de amor

Vendo os olhares desertos de tantas pessoas antigas
Tantas pessoas amigas querendo um cigarro e um carinho
Gente que puxa uma briga na estrada, com os olhos brilhando
Precisa só de um abraço, bem forte e bem dado

E eu quero encontrar as pessoas
De mãos e olhos abertos
Sem me preocupar com dinheiro e posição

Eu preciso encontrar as pessoas
Ficar de mãos dadas com elas
Conversar com a boca e os olhos do coração

sábado, 2 de janeiro de 2010

MTV Apresenta Autoramas - Autoramas

MTV Apresenta Autoramas Desplugado - Autoramas - 2009

"Gente boa pra te divertir". A frase, que está na canção que abre o álbum, "Gente Boa", mostra exatamente o que são os Autoramas: uma das bandas mais importantes do cenário independente nacional, com o habilíssimo Gabriel Thomaz na guitarra (aqui, no violão) e na voz, o baterista Bacalhau e uma mulher no baixo - a vaga que já foi de Simone e de Selma hoje é ocupada no mesmo alto nível por Flávia Couri. O rock vigoroso e recheado de influências da surf music e da new wave do grupo aqui desplugado apresenta-se dançante até a medula.

Seja no balanço maroto de "Samba Rock do Bacalhau" - que emula "Meu Nome é Gal" -, na vibração espanhola de "Hotel Cervantes" ou nos rocks acelerados e inteligentes , como "Muito Mais", a banda botam todo mundo pra se mexer na sala, com direito a saia de bolinhas, rabos-de-cavalo e topetes com brilhantina.

Thomaz ainda aproveita o especial pra fazer um apanhado geral da sua carreira, relembrando a famosa parceria com os Raimundos, "I Saw You Saying (That You Say That You Saw)" e a ancestral banda Little Quail and the Mad Birds, com "Galera do Fundão". Faixas importantes do trio também não ficam de fora, como as românticas "Copersucar" e "A 300km/h" - que ganhou um ar meio faroeste com a participação do guitarrista Big Gilson.

O destaque do álbum fica com a dobradinha de participações especiais em "Música de Amor" e "Sonhador". A primeira conta com a participação de Erika Martins, mulher do vocalista e ex-Penélope e Telecats, e o que já era pop e fofo no original ficou ainda mais radiofônico aqui com a voz de Erika. Já na segunda, que mostra a versatilidade de Thomaz como compositor, brilha a presença de Frejat nos vocais.

Num show que revisita o trabalho do trio, os Autoramas vêm a 300km/h na sua direção - sem freio - e fazem questão de serem ouvidos por você.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Dou Fé

Nada que uma fila burocrática não faça... ademais , é só um recomeço.

Como é triste o homem do cartório...

Carimba e assina e confere e cobra
Confere e cobra e assina e carimba.
Cópias autenticadas sem valor econômico ad nauseam
Repetidas em três laudas com firma reconhecida

Todo dia a bater o ponto
Chamar o próximo e o próximo
Uma fila que não acaba nunca
O relógio que nunca chega às seis.
Uma vida que se acaba rápido...

Como é triste a vida do homem do cartório!

(Dou fé, neste ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e nove, pela autoridade a mim reconhecida, que estas linhas supracitadas conforme datavênia doravante nada significam).

domingo, 4 de outubro de 2009

(Vivo?)

Só pra dizer que eu tô vivo mesmo , passando bem e respirando.

É que nos últimos tempos eu tive de trocar a ficção pelas redações da versão etapada da Vênus das Peles e me concentrar com periféricos e teses em vez de motoboys e ônibus lotados. E não as publico aqui pois tenho pena do tempo de vocês. XD

Enfim.

Seguimos com o Eduardinho way-of-life e tá tudo certo.
Ro-naldo!

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Sobre a Arte de se Fazer Uma Mixtape

Um post atípico, só pra comentar essa que é uma das atividades mais divertidas dos tempos modernos. Ou praqueles 10 minutos que faltam do tempo mínimo de um Simulado NENEM. ¬¬

Gravar uma coleção de músicas não é tarefa pra qualquer um. Não é simplesmente escolher uma seleção de dez (como cabiam nas antigas fitinhas K7 que meu pai ou Rob Fleming gravavam) , quinze ou vinte canções (nos CD-Rs que hoje a gente usa e que sinto que entrarão em extinção com pen-drives. Vale lembrar: um pen drive com quinhentas músicas passa longe de ser uma boa mixtape). Tem que saber escolher e ter noção.

Depende , é claro , do seu propósito com a "fitinha". Se você quer pagar de mala com aquele seu amigo que também literalmente escava bandas , se você quer impressionar aquela gata da sua sala , do seu escritório ou do seu prédio , se você quer simplesmente mostrar quem você é a uma pessoa desconhecida. Bom senso é fundamental. As regras variam de acordo com o objetivo , mas algumas coisas são fundamentais:

1 - Nunca coloque as músicas mais "arrasa quarteirão" de uma vez só. A pessoa que vai ouvir se entusiasma com as primeiras , depois cansa e seu disquinho foi pro buraco , amigo.

2 - Pense numa sequência pras músicas se encaixarem. Ou simplesmente tenha noção de aumentar ou diminuir os bpm's ao longo do tempo. Colocar Ramones e depois Joan Baez pode fazer todo o sentido do mundo pra você , mas vai chocar o ouvido do seu alvo. (A menos que ele seja aquele vizinho chato que você quer literalmente irritar).

3 - Não seja desleixado com o visual. Uma idéia visualmente bem apresentada ajuda. E muito.

Tem outras coisas , mas aí é muito particular: tem gente , como eu , que gosta de escrever alguma coisa sobre a seleção em geral ou sobre as músicas em particular. Cada música tem um pequeno significado , uma razão de estar ali , ora essa!

Claro que fazer tudo isso dá trabalho. Mas é muito divertido! Eu juro. Mesmo. :). O que você está esperando pra fazer a sua?

domingo, 23 de agosto de 2009

Menino, Menina

"Vem morar comigo nesse apartamento
Estamos uns sobre os outros
E temos satisfação"
(Pavão Macaco, Wado)


Sim , agora eu quero ir a fundo nisso tudo. Agora que você sabe que eu já te amo tanto e eu sei que você me ama, eu quero conhecer seus pais , seus irmãos , seus avós e a sua cachorra. Quero te chamar pra tomar um sorvete no domingo à tarde com sol na pracinha perto da sua casa, um vestido florido e uma flor no cabelo.

A ordem das coisas se altera sem você. Os livros da estante continuam lá , intocados , a não ser por algumas palavras que eu roubei deles pra te fazer sorrir. Os meus discos também já não tocam mais. Tudo o que eu quero ouvir é o som da sua voz , meu abrigo e meu destino. A vontade de te encontrar (e eu não encontro razão) , uma mensagem de amor.

E enquanto o tempo passa rápido demais , eu não vejo a hora dele passar mais rápido ainda. Eu quero ir morar com você , esperar você chegar em casa com a comida pronta e a mesa posta à luz de velas. Eu quero te dizer boa noite e bom dia todos os dias , ver o teu sorriso antes de sair correndo pra rua. Dormir ao teu lado , tendo certeza que eu divido a cama com a mulher que eu amo.

Terna e totalmente , amo.

sábado, 22 de agosto de 2009

De Maneira Alguma Tragicamente

É muito tarde , é tão tarde que eu mal consigo escrever um texto inteiro e mantê-lo com nexo. Eu não sei exatamente o que eu quero dizer agora, uma vez que meus ossos doem depois de dias e dias nesse deserto de sal e concreto que me quebra em duas partes e acaba sendo o que importa. (Mesmo que hoje eu só cante a canção do velho Zé Rodrix).

Mas no fundo , no fundo , eu só sei de uma coisa: eu queria ser apenas aquele muro vermelho pichado no caminho do metrô (de maneira alguma tragicamente).

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Deserto de Sal

Mesmo com todos os lados bons e os fatos felizes que habitam a minha vida , há a impressão de viver num deserto de sal. (Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo).

Deserto de Sal
(Wado/Alvinho)

Se a tristeza fosse tanta que permanecesse muda:
Então seria pior
Ainda há esperança no chorar soluçante,
No cantar gritando
Nos ombros, como papagaios, carregava corvos
E dentro dos lábios o silêncio mudo
No peito um cemitério de ex-amigos mortos

E enterrar os mortos, desapegar os ossos
Confirmava a vida o que é bom: desprendimento

Ainda há vontade de andar: o que é bom
E embotado nos olhos,
O negrume vazava de dentro da carne

No peito um cemitério de velhos sonhos mortos
Nenhum plano vagava no deserto de sal
E num dado momento parecia até que o sol ia nascer
E era mais uma estrela decadente
No deserto de sal

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Luz de Poste da Rua

Para Camila de Lima Leal

"Amo somente o vazio e me acalmo danando"
(Me Acalmo Danando , Ângela Rô Rô)

Ela abre a janela e fica pensando na vida. Nas tantas mudanças de casa , num mundo melhor , na solidão de se viver numa cidade grande sem amigos por perto pra chamar prum passeio a qualquer hora num dia de semana. A luz do poste da rua ilumina a sua face justamente no momento em que ela só pede um cigarro e um copo de cerveja pra poder dormir feliz.

Há alguns meses que ela não sabe o que é sentir um cara. Não no jeito físico , isso é facilmente resolvível em um canto ou buraco , uma ida pra cidade antiga , qualquer coisa enfim. Ela precisa de um homem. Um homem que ela possa ligar às três da manhã pra não se sentir sozinha. Um cara atento às suas necessidades , mas que ela não precise dar satisfações. Que esteja lá pra lhe dar bom dia e dizer que ela é linda com um sorriso no rosto e uma bandeja de café da manhã na mão pra ela tomar na cama.

Mas ela não vê esse cara no seu mundo. Ele simplesmente não existe , e os que existem ela descobre um jeito estranho de repeli-los. Talvez não seja um problema dela , seja simplesmente o mundo moderno - old fashioned boys and post-modern girls. Ninguém sabe o que fazer nesse momento. Nem ela mesma.

São cinco horas da manhã. O sol começa a sair tímido na janela do seu quarto. É um novo dia a ser encarado - sem qualquer esperança de novidade. Mas com uma xícara de café fumegante pra aquecer seu coração. Por enquanto.

domingo, 19 de julho de 2009

A Marcha dos Invisíveis - Terminal Guadalupe

Remoendo os arquivos , eu encontrei essa resenha aqui do Terminal Guadalupe, feita há uns dois anos. É engraçado ver como as coisas mudam - hoje a banda quase acabou e ressurgirá no segundo semestre com nova formação , só remanescendo o vocalista Dary Jr. Enfim , ainda resta a idéia de que este é um dos grandes discos da década.

Terminal Guadalupe - A Marcha dos Invisíveis - 2007

Se há uma banda , que ao meu ver , tem a chance de alcançar o caráter messiânico da Legião Urbana e dos Los Hermanos hoje em dia , essa banda é o Terminal Guadalupe. Vindos de Curitiba , o quinteto liderado por Dary Jr (vocais e letras) e Allan Yokohama (backing vocals , guitarras e melodias) faz um dos melhores discos nacionais de 2007.

A abertura é com "Terminal Guadalupe" , canção que explica o nome da banda através da indignação com o mito que Curitiba é uma cidade desenvolvida("onde começa e acaba o mito/que trás perfeição(...)a tal cidade européia/só existe na ficção") - Guadalupe é o nome de um terminal de ônibus que divide a cidade entre a zona rica e a pobre. (N. do E: Eu guardo a mesma sensação com São Caetano do Sul).

"Pernambuco Chorou" , na sequência , é baseada no filme "O Prisioneiro da Grade de Ferro" e questiona a posição coxinha do rock nacional ("Quanto quem vende atitude/em comercial de refrigerante") e o sistema carcerário brasileiro. "Atalho Clichê" começa com um empolgante riff e discursa sobre erros e acertos , desculpas e confusões. "El Pueblo No Se Va" joga a discussão para o âmbito mundial , falando em dívida externa e a América Latina.

"O Segundo Passo" é uma grande balada que revisita a idéia da filosofia grega de que é "impossível entrar num rio duas vezes" para usá-la como incentivo ao carpe diem. Em seguida , vem "De Turim a Acapulco" que dispara imagens de loucura e incompreensão pra falar de escapismo e amor. Pra finalizar , a politizada "Praça de Alimentação" atira para todos os lados da política nacional ("A coleção de inverno do tucanato/E as roupas íntimas dos neo-petistas/A decadência das elites baianas") e instiga os jovens a não se alienarem. Se a mensagem chegará aos ouvidos de quem precisa ouvi-las , não se sabe ao certo. Mas que este é um grande disco , com certeza é.

A Marcha dos Invisíveis - 3º disco do Terminal Guadalupe. Produção de Tomás Magno , gravado na Toca do Bandido(RJ). Terminal Guadalupe é Dary Jr. (vocais e letras) , Allan Yokohama(guitarras e voz) , Lucas Borba(guitarras) , Rubens K(baixo) e Fabiano Ferronato(bateria). Tracklist: Terminal Guadalupe , Pernambuco Chorou , Atalho Clichê , Recorte Médio-Oriental , A Marcha dos Invisíveis , Cachorro Magro , El Pueblo No Se Va , O Segundo Passo , De Turim a Acapulco , Praça de Alimentação.